REVELAÇÃO DE BOLSONARO SOBRE SÉRGIO MORO E O STF, TORNA O MINISTRO REFÉM DO SENADO E DE UM PROJETO PESSOAL

13 de Maio de 2019 | 10:16hs

A confirmação feita pelo presidente Jair Bolsonaro de que tem um compromisso com Sérgio Moro de indica-lo para o STF na próxima vaga que se abrir, teve consequências desastrosos para o ex-juiz Moro.

Eu fico na dúvida se Bolsonaro fez isso de caso pensado ou se apenas soltou a revelação sem medir as consequências.

E quais as consequências para Moro?

  1. Sérgio Moro sempre disse que aceitou ser Ministro como uma missão, cujo objetivo seria aperfeiçoar os mecanismos de combate aos crimes de corrupção. Moro se dizia um técnico no governo e não um político.

Com a confirmação de que Moro e Bolsonaro negociaram antes dele ser aceitar ser ministro, a ida do ex-juiz para o STF (Ascensão que o próprio Moro classificou como ganhar na loteria) deixa claro que Moro está no governo não como missão, mas como um degrau a ser escalado para obter uma promoção pessoal. Ir para o STF é o bônus final, de caráter pessoal, que Sérgio Moro almejou.

  1. Moro sempre negou que sua atuação como Juiz na Lava-jato foi isenta, imparcial e sem pretensões pessoais. Ele sempre rejeitou a suspeição levantada pelo PT contra ele. Quando foi ser ministro, Moro manteve a negação, ressaltando que era um técnico no governo, agora a desconfiança se torna mais forte e as suspeitas sobre suas motivações se revelam mais amplas.
  2. Desde já como um pré-candidato ao cargo de ministro do STF, Moro fica refém do Senado. Os ministros indicados para o STF precisam ter seu nome aprovado no Senado.  Sabendo que no ano que vem vai precisar de voto dos senadores, Moro perde o referencial para os confrontos de ordem política.
  3. Escrevi aqui no blog que existiam dois ministros de Bolsonaro que eram maiores que o cargo, Moro e Guedes. Eram indemissíveis. Com a revelação feita por Bolsonaro, Sérgio Moro diminui de estatura, sobrepõe-se sua ambição.
  4. De agora em diante, Sérgio Moro nunca deixará de ser questionado sobre suas motivações. Duas vezes ele foi humilhado pelo atual governo, na nomeação de uma conselheira para um colegiado do Ministério e na perda da Coaf e as duas vezes ele se calou. Nasce a questão: calou-se porque foi racional e o que importa é a escalada rumo ao STF?
  5. Moro é sempre questionado quando alguém do governo é acusado ou se mete em situações vexatórias. A mídia quer ouvir o juízo de Moro. De agora em diante, a dúvida é se as opiniões serão do Ministro da Justiça ou do candidato ao STF.
  6. Por fim, a revelação de Bolsonaro abate em pleno voo os que sonhavam com Moro em 2022, candidato a presidente.

Por tudo isso, as consequências da revelação feita por Bolsonaro forma prejudiciais ao seu ministro.

Será que foi caso pensado de Bolsonaro?

Para tornar menor um ministro que era maior que ele e para abater as pretensões de 2022?

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REVELAÇÃO DE BOLSONARO SOBRE SÉRGIO MORO E O STF, TORNA O MINISTRO REFÉM DO SENADO E DE UM PROJETO PESSOAL

13 de Maio de 2019 | 10:16hs
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A confirmação feita pelo presidente Jair Bolsonaro de que tem um compromisso com Sérgio Moro de indica-lo para o STF na próxima vaga que se abrir, teve consequências desastrosos para o ex-juiz Moro.

Eu fico na dúvida se Bolsonaro fez isso de caso pensado ou se apenas soltou a revelação sem medir as consequências.

E quais as consequências para Moro?

  1. Sérgio Moro sempre disse que aceitou ser Ministro como uma missão, cujo objetivo seria aperfeiçoar os mecanismos de combate aos crimes de corrupção. Moro se dizia um técnico no governo e não um político.

Com a confirmação de que Moro e Bolsonaro negociaram antes dele ser aceitar ser ministro, a ida do ex-juiz para o STF (Ascensão que o próprio Moro classificou como ganhar na loteria) deixa claro que Moro está no governo não como missão, mas como um degrau a ser escalado para obter uma promoção pessoal. Ir para o STF é o bônus final, de caráter pessoal, que Sérgio Moro almejou.

  1. Moro sempre negou que sua atuação como Juiz na Lava-jato foi isenta, imparcial e sem pretensões pessoais. Ele sempre rejeitou a suspeição levantada pelo PT contra ele. Quando foi ser ministro, Moro manteve a negação, ressaltando que era um técnico no governo, agora a desconfiança se torna mais forte e as suspeitas sobre suas motivações se revelam mais amplas.
  2. Desde já como um pré-candidato ao cargo de ministro do STF, Moro fica refém do Senado. Os ministros indicados para o STF precisam ter seu nome aprovado no Senado.  Sabendo que no ano que vem vai precisar de voto dos senadores, Moro perde o referencial para os confrontos de ordem política.
  3. Escrevi aqui no blog que existiam dois ministros de Bolsonaro que eram maiores que o cargo, Moro e Guedes. Eram indemissíveis. Com a revelação feita por Bolsonaro, Sérgio Moro diminui de estatura, sobrepõe-se sua ambição.
  4. De agora em diante, Sérgio Moro nunca deixará de ser questionado sobre suas motivações. Duas vezes ele foi humilhado pelo atual governo, na nomeação de uma conselheira para um colegiado do Ministério e na perda da Coaf e as duas vezes ele se calou. Nasce a questão: calou-se porque foi racional e o que importa é a escalada rumo ao STF?
  5. Moro é sempre questionado quando alguém do governo é acusado ou se mete em situações vexatórias. A mídia quer ouvir o juízo de Moro. De agora em diante, a dúvida é se as opiniões serão do Ministro da Justiça ou do candidato ao STF.
  6. Por fim, a revelação de Bolsonaro abate em pleno voo os que sonhavam com Moro em 2022, candidato a presidente.

Por tudo isso, as consequências da revelação feita por Bolsonaro forma prejudiciais ao seu ministro.

Será que foi caso pensado de Bolsonaro?

Para tornar menor um ministro que era maior que ele e para abater as pretensões de 2022?

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Sou jornalista há 28 anos, advogado e professor de História. Não sei se sou competente, mas sei que sou responsável com minhas tarefas.

netoqueiroz@uol.com.br