O QUE ACHO DAS GRAVAÇÕES ENVOLVENDO OS FAMILIARES DE HENRIQUE ALVES

09 de Novembro de 2017 | 14:49hs

Tenho visto nos últimos dias uma série de gravações feitas pela Polícia Federal que envolvem o caso do ex-deputado Henrique Alves.

Gravações envolvendo a esposa de Henrique, uma filha de Henrique e o senador Garibaldi Filho. Monitoraram até o carro oficial do Senado em que anda Garibaldi.

De tudo que ouvi nas gravações, de tudo que li nas degravações, fiquei com a sensação de que existe algo errado.

Não vi nada que indicasse crime, não ouvi uma prova, algo que indicasse ilegalidade. São conversas da esposa com Garibaldi, da filha com Garibaldi, tratando da situação jurídica de Henrique. Conversas familiares e privadas que não indicam crime.

Explico logo ao leitor que não estou aqui com procuração para defender Henrique, acho que se ele cometeu crimes, deve pagar. Mas estas gravações expostas ao público como foram, não provam nada e são uma afronta ao estado de direito.

E qual o sentido dessas gravações irem parar na mídia? Só posso entender que existe uma lamentável tentativa de manipular a opinião pública. Num momento em que dois habeas corpus de Henrique estão para ser julgados, faz-se pressão através da opinião pública.

Numa gravação, Laurita, a esposa, fala com Garibaldi sobre uma reunião marcada. Provavelmente na casa do ex-presidente José Sarney.

Noutra, Garibaldi agenda com a filha de Henrique passar num determinado local para pegá-la e leva-la para a tal reunião. O carro de Garibaldi é seguido nas ruas.

Numa outra gravação, a filha de Henrique fala que o pai reclamou que o banho era com água fria na cadeia onde se encontra. E a filha fala que o pai vai se desligar do PMDB para convencer os magistrados que vão julgar o habeas corpus, de que ele não tem nenhuma influência mais no partido.

E ainda numa outra gravação a filha fala com alguém sobre a expectativa e ansiedade do julgamento do habeas corpus e que Henrique estaria mais animado com a possibilidade de ser solto.

Ouvindo as gravações fiquei à procura das evidências de que tais conversas se constituíram em crimes. Não achei nada disso.

Enquanto isso, a mídia inteira divulgando as gravações como se fosse a prova cabal que Henrique na prisão está manipulando as decisões judiciais.

Para mim fica claro que o que está por trás de tudo isso é uma tentativa de manipulação da opinião pública, pintando-se o monstro com as cores mais horríveis possíveis.

É uma tentativa de condenação precoce por pressão da opinião pública.

Entendo que a suspeita levantada foi de que Garibaldi e seus familiares procuraram Sarney com a tentativa de pressionar magistrados ou cortes superiores que iriam julgar o HC de Henrique. Mas, não há prova disso nas gravações. Apenas indícios, ilações e suposições.

Digo tudo isso para seguir para o ponto que pretendo chegar.

Não defendo a inocência de Henrique, mas sou contra qualquer tipo de desvio ou artimanha, fora do devido processo legal, para condená-lo. A exposição pública de conversas familiares, sem que haja qualquer indício de crime, é um golpe baixo.

O que defendo é que não abramos concessões nos direitos e garantias fundamentais do cidadão, previstos na Constituição, só porque desejamos ver condenado um “notório” culpado.

Porque se acharmos que podemos fazer concessões na lei para podermos condenar os maus, então amanhã não podemos reclamar quando esses desvios alcançarem um parente nosso ou a nós mesmos.

Punição para os culpados. Mas dentro da lei. Obedecendo as regras, com as devidas provas.

Quando aceitamos o “jogo” de que o fim justifica os meios, então somos todos bandidos, estamos à margem da lei.

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O QUE ACHO DAS GRAVAÇÕES ENVOLVENDO OS FAMILIARES DE HENRIQUE ALVES

09 de Novembro de 2017 | 14:49hs
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Tenho visto nos últimos dias uma série de gravações feitas pela Polícia Federal que envolvem o caso do ex-deputado Henrique Alves.

Gravações envolvendo a esposa de Henrique, uma filha de Henrique e o senador Garibaldi Filho. Monitoraram até o carro oficial do Senado em que anda Garibaldi.

De tudo que ouvi nas gravações, de tudo que li nas degravações, fiquei com a sensação de que existe algo errado.

Não vi nada que indicasse crime, não ouvi uma prova, algo que indicasse ilegalidade. São conversas da esposa com Garibaldi, da filha com Garibaldi, tratando da situação jurídica de Henrique. Conversas familiares e privadas que não indicam crime.

Explico logo ao leitor que não estou aqui com procuração para defender Henrique, acho que se ele cometeu crimes, deve pagar. Mas estas gravações expostas ao público como foram, não provam nada e são uma afronta ao estado de direito.

E qual o sentido dessas gravações irem parar na mídia? Só posso entender que existe uma lamentável tentativa de manipular a opinião pública. Num momento em que dois habeas corpus de Henrique estão para ser julgados, faz-se pressão através da opinião pública.

Numa gravação, Laurita, a esposa, fala com Garibaldi sobre uma reunião marcada. Provavelmente na casa do ex-presidente José Sarney.

Noutra, Garibaldi agenda com a filha de Henrique passar num determinado local para pegá-la e leva-la para a tal reunião. O carro de Garibaldi é seguido nas ruas.

Numa outra gravação, a filha de Henrique fala que o pai reclamou que o banho era com água fria na cadeia onde se encontra. E a filha fala que o pai vai se desligar do PMDB para convencer os magistrados que vão julgar o habeas corpus, de que ele não tem nenhuma influência mais no partido.

E ainda numa outra gravação a filha fala com alguém sobre a expectativa e ansiedade do julgamento do habeas corpus e que Henrique estaria mais animado com a possibilidade de ser solto.

Ouvindo as gravações fiquei à procura das evidências de que tais conversas se constituíram em crimes. Não achei nada disso.

Enquanto isso, a mídia inteira divulgando as gravações como se fosse a prova cabal que Henrique na prisão está manipulando as decisões judiciais.

Para mim fica claro que o que está por trás de tudo isso é uma tentativa de manipulação da opinião pública, pintando-se o monstro com as cores mais horríveis possíveis.

É uma tentativa de condenação precoce por pressão da opinião pública.

Entendo que a suspeita levantada foi de que Garibaldi e seus familiares procuraram Sarney com a tentativa de pressionar magistrados ou cortes superiores que iriam julgar o HC de Henrique. Mas, não há prova disso nas gravações. Apenas indícios, ilações e suposições.

Digo tudo isso para seguir para o ponto que pretendo chegar.

Não defendo a inocência de Henrique, mas sou contra qualquer tipo de desvio ou artimanha, fora do devido processo legal, para condená-lo. A exposição pública de conversas familiares, sem que haja qualquer indício de crime, é um golpe baixo.

O que defendo é que não abramos concessões nos direitos e garantias fundamentais do cidadão, previstos na Constituição, só porque desejamos ver condenado um “notório” culpado.

Porque se acharmos que podemos fazer concessões na lei para podermos condenar os maus, então amanhã não podemos reclamar quando esses desvios alcançarem um parente nosso ou a nós mesmos.

Punição para os culpados. Mas dentro da lei. Obedecendo as regras, com as devidas provas.

Quando aceitamos o “jogo” de que o fim justifica os meios, então somos todos bandidos, estamos à margem da lei.

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Sou jornalista há 28 anos, advogado e professor de História. Não sei se sou competente, mas sei que sou responsável com minhas tarefas.

netoqueiroz@uol.com.br