CRISE LEVA ESTADOS MAIS RICOS A CORTAR INVESTIMENTOS EM R$ 8,5 BILHÕES

25 de Janeiro de 2016 | 08:48hs

A crise econômica fez com que os dez estados mais ricos do país projetassem uma redução de cerca de R$ 8,5 bilhões nos investimentos para este ano. A queda vai resultar em adiamento e paralisações de obras, o que deve contribuir para agravar o desemprego. Levantamento feito nas leis orçamentárias sancionadas pelos governadores mostra que, entre os estados com os maiores orçamentos, oito — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Santa Catarina, Goiás e Ceará — reduziram a verba para novos empreendimentos, em comparação ao que havia sido previsto para esse tipo de projeto em 2015.

QUEDA NA PREVISÃO DE INVESTIMENTO

No ano passado, o grupo dos estados mais ricos planejava investir R$ 57,1 bilhões. Já este ano, a previsão é de R$ 48,6 bilhões. Como a maior parte deles ainda não fechou o balanço da execução orçamentária de 2015, não é possível saber quanto desses recursos realmente foi destinado para novas obras. Mas, em geral, os governos gastam valores inferiores à verba reservada.

O Rio, em 2015, havia projetado R$ 11,1 bilhões para investimentos. No final, gastou só 60% disso: R$ 6,7 bilhões. Para 2016, a previsão é de R$ 7,6 bilhões, 31,1% menos que no ano passado. A Secretaria de Planejamento diz que o estado sofre com falta de espaço para novos empréstimos e que novas obras terão de ser adiadas até que haja aumento na arrecadação tributária. Apenas investimentos bancados por linhas de financiamento, como a expansão do metrô, estão garantidos, segundo o governo.

CENÁRIO ECONÔMICO DIFERENTE

Em São Paulo, estado mais rico do país, o governo mantém paralisado o início de quatro obras de expansão ou implantação de linhas do metrô. A lei orçamentária do estado mostra redução de 14,26% nos investimentos previstos para 2016 em relação ao ano passado — de R$ 16,37 bilhões para R$ 14,03 bilhões. Como São Paulo não fechou as contas de 2015, não é possível saber quanto foi gasto com novas obras.

A Secretaria de Planejamento paulista se queixa de não ter recebido cerca de R$ 3,4 bilhões de operações de créditos contratados junto ao governo federal. Também alega que o orçamento de 2015 foi elaborado com um cenário econômico diferente do que se concretizou: crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5% (espera-se agora uma queda de 3,7%) e inflação a 6,1% (fechou em 10,7%).

Apesar das ponderações, o estado não contabiliza uma queda na previsão de investimentos este ano porque inclui nos cálculos as verbas de empresas estatais não dependentes de recursos estaduais e valores de inversões financeiras (despesa para aquisição de imóveis ou bens de capital já em utilização). Por esse cálculo, a projeção de investimento em 2016 é de R$ 24,6 bilhões, contra R$ 21,8 bilhões previstos em 2015.

O estado com a maior previsão de queda nos investimentos entre os mais ricos é Pernambuco. A redução prevista é de 34,59%: de R$ 3,32 bilhões para R$ 2,17 bilhões. O estado critica a dificuldade que enfrenta para obter novos empréstimos por causa da falta de autorização do governo federal, que alega que as operações atrapalhariam a meta de superávit fiscal.

O corte nos investimentos em Pernambuco ocorreu ao longo de 2015. A previsão é que o gasto total com novas obras não chegue nem à metade do valor orçado inicialmente. O balanço ainda será fechado.

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CRISE LEVA ESTADOS MAIS RICOS A CORTAR INVESTIMENTOS EM R$ 8,5 BILHÕES

25 de Janeiro de 2016 | 08:48hs
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A crise econômica fez com que os dez estados mais ricos do país projetassem uma redução de cerca de R$ 8,5 bilhões nos investimentos para este ano. A queda vai resultar em adiamento e paralisações de obras, o que deve contribuir para agravar o desemprego. Levantamento feito nas leis orçamentárias sancionadas pelos governadores mostra que, entre os estados com os maiores orçamentos, oito — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Santa Catarina, Goiás e Ceará — reduziram a verba para novos empreendimentos, em comparação ao que havia sido previsto para esse tipo de projeto em 2015.

QUEDA NA PREVISÃO DE INVESTIMENTO

No ano passado, o grupo dos estados mais ricos planejava investir R$ 57,1 bilhões. Já este ano, a previsão é de R$ 48,6 bilhões. Como a maior parte deles ainda não fechou o balanço da execução orçamentária de 2015, não é possível saber quanto desses recursos realmente foi destinado para novas obras. Mas, em geral, os governos gastam valores inferiores à verba reservada.

O Rio, em 2015, havia projetado R$ 11,1 bilhões para investimentos. No final, gastou só 60% disso: R$ 6,7 bilhões. Para 2016, a previsão é de R$ 7,6 bilhões, 31,1% menos que no ano passado. A Secretaria de Planejamento diz que o estado sofre com falta de espaço para novos empréstimos e que novas obras terão de ser adiadas até que haja aumento na arrecadação tributária. Apenas investimentos bancados por linhas de financiamento, como a expansão do metrô, estão garantidos, segundo o governo.

CENÁRIO ECONÔMICO DIFERENTE

Em São Paulo, estado mais rico do país, o governo mantém paralisado o início de quatro obras de expansão ou implantação de linhas do metrô. A lei orçamentária do estado mostra redução de 14,26% nos investimentos previstos para 2016 em relação ao ano passado — de R$ 16,37 bilhões para R$ 14,03 bilhões. Como São Paulo não fechou as contas de 2015, não é possível saber quanto foi gasto com novas obras.

A Secretaria de Planejamento paulista se queixa de não ter recebido cerca de R$ 3,4 bilhões de operações de créditos contratados junto ao governo federal. Também alega que o orçamento de 2015 foi elaborado com um cenário econômico diferente do que se concretizou: crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5% (espera-se agora uma queda de 3,7%) e inflação a 6,1% (fechou em 10,7%).

Apesar das ponderações, o estado não contabiliza uma queda na previsão de investimentos este ano porque inclui nos cálculos as verbas de empresas estatais não dependentes de recursos estaduais e valores de inversões financeiras (despesa para aquisição de imóveis ou bens de capital já em utilização). Por esse cálculo, a projeção de investimento em 2016 é de R$ 24,6 bilhões, contra R$ 21,8 bilhões previstos em 2015.

O estado com a maior previsão de queda nos investimentos entre os mais ricos é Pernambuco. A redução prevista é de 34,59%: de R$ 3,32 bilhões para R$ 2,17 bilhões. O estado critica a dificuldade que enfrenta para obter novos empréstimos por causa da falta de autorização do governo federal, que alega que as operações atrapalhariam a meta de superávit fiscal.

O corte nos investimentos em Pernambuco ocorreu ao longo de 2015. A previsão é que o gasto total com novas obras não chegue nem à metade do valor orçado inicialmente. O balanço ainda será fechado.

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Sou jornalista há 28 anos, advogado e professor de História. Não sei se sou competente, mas sei que sou responsável com minhas tarefas.

netoqueiroz@uol.com.br