APÓS OS ÁUDIOS VAZADOS, A DESCONFIANÇA QUE REINA SOBRE AS DENÚNCIAS DA LAVAJATO CONTRA LULA

11 de Setembro de 2019 | 08:46hs

Quem se deu ao trabalho de ler a última denúncia da LavaJato contra o ex-presidente Lula, envolvendo uma suposta mesada que a Odebrecht pagaria ao seu irmão, Frei Chico, chega a uma única conclusão possível.

O enredo não cola mais.

Alega a força tarefa que o Frei Chico prestou serviço a Odebrecht, de fato e de direito, e ganhava 3 mil reais por mês para isso, mas quando Lula assumiu a presidência continuou a receber o pagamento, aumentado para 5 mil reais, mas desde então sem prestar serviços. E depois que Lula deixou a presidência, ainda por mais três anos, Frei Chico continuou a receber a mesada.

Para isso, Lula teria oferecido em contrapartida auxiliar a Odebrecht nos seus interesses na indústria petroquímica. Um negócio de bilhões de reais pelo qual o ex-presidente negociou uma mesada pro irmão.

Como prova se baseia apenas em delações de quem disse o que os procuradores queriam ouvir para verem suas penas atenuadas. Não cita uma ação concreto do ex-presidente para beneficiar a empresa que pagava a mesada de Frei Chico. Usa o fato indeterminado como elemento de comprovação do malfeito.

Não explica porque a Odebrecht continuou a pagar a mesada até três anos após Lula sair da presidência.

O mundo jurídico reagiu com ironia sobre a nova denúncia. Quem leu, indignou-se. Não houve uma única voz a favor do arrazoado apresentado pelos procuradores.

A denúncia é uma espécie de último suspiro, as derradeiras palavras de um moribundo.

Fosse há um ano atrás, a denúncia seria veiculada por dias da imprensa, teria sido comprada de porteira fechada pela mídia, repercutida como mais uma diabrura do ex-presidente petista.

Desta vez foi bem diferente. Nem que não existisse a completa carência de fatos e nexos na denúncia, ela foi recebida com um olhar de desconfiança, cheia de porquês, de senões e de serás.

Os procuradores da força tarefa da LavaJato, antes inquestionáveis, soberanos em tudo que revelavam, hoje recebem olhares desconfiados e enviesados.

Tudo que foi revelado até agora pelo The Intercept Brasil, no que ficou conhecido como VazaJato, desnudou interesses diversos daquele de fazer de justiça.

A nova denúncia contra Lula é um epitáfio. Aqui jaz...

Comentários

Sem comentários. Seja o primeiro.

APÓS OS ÁUDIOS VAZADOS, A DESCONFIANÇA QUE REINA SOBRE AS DENÚNCIAS DA LAVAJATO CONTRA LULA

11 de Setembro de 2019 | 08:46hs
Imagem [0]

Quem se deu ao trabalho de ler a última denúncia da LavaJato contra o ex-presidente Lula, envolvendo uma suposta mesada que a Odebrecht pagaria ao seu irmão, Frei Chico, chega a uma única conclusão possível.

O enredo não cola mais.

Alega a força tarefa que o Frei Chico prestou serviço a Odebrecht, de fato e de direito, e ganhava 3 mil reais por mês para isso, mas quando Lula assumiu a presidência continuou a receber o pagamento, aumentado para 5 mil reais, mas desde então sem prestar serviços. E depois que Lula deixou a presidência, ainda por mais três anos, Frei Chico continuou a receber a mesada.

Para isso, Lula teria oferecido em contrapartida auxiliar a Odebrecht nos seus interesses na indústria petroquímica. Um negócio de bilhões de reais pelo qual o ex-presidente negociou uma mesada pro irmão.

Como prova se baseia apenas em delações de quem disse o que os procuradores queriam ouvir para verem suas penas atenuadas. Não cita uma ação concreto do ex-presidente para beneficiar a empresa que pagava a mesada de Frei Chico. Usa o fato indeterminado como elemento de comprovação do malfeito.

Não explica porque a Odebrecht continuou a pagar a mesada até três anos após Lula sair da presidência.

O mundo jurídico reagiu com ironia sobre a nova denúncia. Quem leu, indignou-se. Não houve uma única voz a favor do arrazoado apresentado pelos procuradores.

A denúncia é uma espécie de último suspiro, as derradeiras palavras de um moribundo.

Fosse há um ano atrás, a denúncia seria veiculada por dias da imprensa, teria sido comprada de porteira fechada pela mídia, repercutida como mais uma diabrura do ex-presidente petista.

Desta vez foi bem diferente. Nem que não existisse a completa carência de fatos e nexos na denúncia, ela foi recebida com um olhar de desconfiança, cheia de porquês, de senões e de serás.

Os procuradores da força tarefa da LavaJato, antes inquestionáveis, soberanos em tudo que revelavam, hoje recebem olhares desconfiados e enviesados.

Tudo que foi revelado até agora pelo The Intercept Brasil, no que ficou conhecido como VazaJato, desnudou interesses diversos daquele de fazer de justiça.

A nova denúncia contra Lula é um epitáfio. Aqui jaz...

Comentários


Sem comentários. Seja o primeiro.

Sou jornalista há 28 anos, advogado e professor de História. Não sei se sou competente, mas sei que sou responsável com minhas tarefas.

netoqueiroz@uol.com.br